Pelo menos eu tinha a ilusão. Acreditava que um dia tudo ia se resolver, os planetas se alinhar, a minha vida teria sentido. Pelo menos eu tinha a solidão de quem se acha especial, que poderia dominar o mundo mas não fez por circunstâncias. Mas, veja bem, agora eu percebo como tudo foi tempo perdido. Passei dias sentado na mesma cadeira, encarando o mesmo objeto, e pensando: “calma, um dia tudo se resolverá”. Era uma boa ilusão. Me fazia feliz num nível superficial. Pelo menos. Agora o mundo gira ao redor. Pessoas conquistam coisas. Outras, nem tanto. Mas conquistam. E eu, fico parado, sentado, na mesma cadeira, com o mesmo olhar, esperando momentos de brilho entre um vazio e nada. Sou apenas um casa perdido. Sou mesmo¿ Acho que caí no problema mais difícil de ser resolvido... Aquele em que nada faz sentido, pois, de certa forma, tudo está explicado. Porque estamos aqui¿ para viver. Viver como¿ Tendo prazer. Mas que tipo de prazer¿ Aquele que vem depois de tirar uma bota. Uma bota de sapato apertada. Quando sentimos a pressão do mundo, uma semana difícil, um fim de relacionamento, uma seca de relações sexuais. Aí está. O Alívio. O prazer. Fazer coisas. Mas tem vezes que nada dá prazer. Nada da vontade, pois tudo é dado, e aquilo que é fácil, não é valorizado.
Tenho uns bons problemas sociais. Espero respostas para silêncios cometidos. Espero que algo aconteça, porque minha vida tá muito chata. Faço coisas para chamar atenção de pessoas que não me importo. Só pelo hábito. Repetição de algo que me fez completo. Já fui assim; hoje, sou resquícios de um monstro. Quero morrer, mas também não quero. Quero algo, mas logo passa. Quero ser feliz, mas nem sei o que é isso. Sinto uma tristeza. Ela deixa meus braços doendo e com lágrimas. Sinto um amargo, vem das minhas vidas passadas. Sou um ser velho. Não quero me mexer. Quero saber, por quê estou aqui¿ A alma já está de saco cheio desse mundo foda. Não é fácil viver aqui. Para alguns é, mas até o fácil se torna difícil, pois, como foi dito, a bota machuca para sentir o alívio. E estar parado te para mais. Estar triste te entristece mais. Movimento, ó, quem me dera eu tivesse. Tenho sérios problemas de ciclos. Não sou uma força andante, com rumo e direção. Sou um pulso enfraquecido, e brilhante, e morto. Como uma estrela. Brilho de noite, morro de dia. Sou um cometa. Cometo atentados a mim para não sair do lugar. Quando vejo progresso, vejo saídas, um porta para voltar atrás. Sou um universo que não expande. Um coração embaixo de um balde de água gelada. O batimento enfraquecido pelo tempo. E quem vai dizer que estou errado¿ Não existe uma lei. Não existe uma história a seguir. Ou existe¿ Alienigenas, numerologia, magia. Coisas que são ditas serem erradas, e quando um pouco vistas, podem nos fazer acreditar. Eu quero ter magia na minha vida. Quero ter uma bela manhã, corrida para o salão de produção em que faço minhas criações. Criar coisas novas, inovar. Inovar o mundo com jeito de pensar, coisas para cantar, coisas para dizer. Quero fazer parte do mundo. Quero oferecer. Mas estou preso dentro de uma bolha. Uma bolha cheia de coisas, elas me destraem do que eu deveria HAHAHA, deveria estar fazendo. Ninguém deve fazer nada. Não devo nada para ninguém e ninguém me deve. As pessoas só querem mais. Mais desse mundo rico. Viemos pelados, e ao nascer já começamos a ganhar. Ganhar e ganhar coisas que fazem querer mais. Mas as vezes não é ensinado a ganhar, e sim, a receber. Recebo mesada, carro, casa, amor que não mereço, e para que¿ Para chegar no fim da tarde perdida e me deparar com um texto escrito com raiva e tristeza em que simpesmente arranho desculpas para minha falta de determinação. Eu desaprendi a querer. Desaprendi a amar. Desaprendi a viver. Habito esse corpo, nesse mundo, nesse escuro, onde nada faz sentido. E como eu queria que fizesse, pois alguma coisa me espera. A morte ou a felicidade . A mudança ou a fraqueza. Estagnado no mesmo lugar a anos, e não pretentendo sair. Vejo a pedra sentada na alma, não deixando respirar. Meu coração tenta fugir, mas fica por lá. Continuo perdido e não sei para onde vou. Sou errado. Sou eu. Sem um homem, mulher e filho. Sou perdido. Quero mais, mais do que posso ter. Quero ser.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
A bota
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